Esse mundo da reportagem é uma prática de distensão e entretenimento:
Alguém assume o controle da vida por nós, organizando um mundo para nós: a narrativa coloca-nos comumente numa posição de conforto e relaxamento, já que, como ouvintes, nos eximimos do esforço de representar, compreender e dar um sentido para a vida.
Geni
Toda narrativa procura indiciar as circunstâncias de uma experiência, respondendo a questões básicas como Quando? Onde? Quem? O quê? Como? Por quê?, procurando organizá-la de algum modo na linha do tempo.
São duas horas da madrugada de um dia assim
É posto em cena fazendo cena um treco assim
Mas Guarda Belo não acredita na cor assim
mas mesmo assim o velho morre assim assim
O narrador é alguém que fala exemplarmente.
O narrador é, sempre, uma posição axiológica.
Entretanto: a narrativa não tem a obrigação de explicar nada, mas fecundar, apontar caminhos, mostrar possibilidades de resolução dos problemas, ensina a agir, a reagir, a enfrentar os medos...
Eu um dia cansado que eu tava
Da fome que eu tinha
Eu não tinha nada
Que fome que eu tinha,
Que seca danada no meu ceará
Eu peguei e juntei
Um restinho de coisa que eu tinha:
Duas calça velha e uma violinha
E num pau de arara
Toquei para cá.
E de noite eu ficava na praia de Copacabana
Zazando na praia de Copacabana
Dançando o xaxado pras moças olhá
Virgem santa
Que a fome era tanta
Que nem voz eu tinha
Meu deus quanta moça
Que fome que eu tinha
Mais fome que eu tinha no meu ceará
Puxa vida num tinha uma vida
Pior do que a minha
Que vida danada, que fome que eu tinha
Zazando na praia pra lá e pra cá
Quando eu via toda aquela gente
No come que come
Eu juro que eu tinha saudades da fome
Da fome que eu tinha no meu Ceará
E aí eu pegava e cantava
E dançava o xaxado
E só conseguia porque no xaxado
A gente só pode mesmo se arrastá.
Virgem santa
Que a fome era tanta
Qu'inté parecia que mesmo xaxando
Meu corpo subia
Igual se tivesse querendo voar.
Vou-me embora pro meu Ceará
Porque lá tenho um nome
Aqui não sou nada
Sou só zé com fome
Sou só pau de arara
Nem sei mais cantá
Vou picar minha mula
Vou antes que tudo rebente
Porque estou achando que o tempo está quente
Pior do que antes não pode ficar.
No último pau-de-arara de Irará
O cancionista narrador pode brincar com os circunstantes - tempo, espaço, modo, intensidade etc - de maneira que a história a contar exerça um efeito de estranhamento sobre o ouvinte. Esse efeito provoca um retardamento do nosso olhar ou entendimento da situação, chamando-nos para um sentido oculto no texto.
Para Chklovski, : “A finalidade da arte é dar uma sensação do objecto como visão e não como reconhecimento; o processo da arte é o processo de singularização [ostraniene] dos objetos e o processo que consiste em obscurecer a forma, em aumentar a dificuldade e a duração da percepção. O ato de percepção em arte é um fim em si e deve ser prolongado; a arte é um meio de sentir o devir do objecto, aquilo que já se ‘tornou’ não interessa à arte.” (ibid., p.82). O estranhamento seria então esse efeito especial criado pela obra de arte literária para nos distanciar (ou estranhar) em relação ao modo comum como apreendemos o mundo, o que nos permitiria entrar numa dimensão nova, só visível pelo olhar estético ou artístico.
(Viktor Chklovski em “Iskusstvo kak priem” (“A arte como processo”), ensaio publicado na segunda edição da Poetika, 1917)
Reparemos nas canções narrativas que se seguem:
Da maior importância
(Caetano Veloso)
Guia
Atravessei o oceano
Sem o teu amor de guia
Só o tempo no meu bolso
E o vento que me seguia
Venci colinas de lágrimas
Desertos de água fria
Tempestades de lembranças
Mas tu já não me querias mais, mais
Tu já não me querias mais
Procurei a terra firme
Em cada onda que subia
O sol cegava meus olhos
Toda a noite eu te perdia
Lá dentro no pensamento
Virou tudo nostalgia
Água, sal e sofrimento
Porque tu não me querias mais
Tu não me querias mais
Já era Agosto, quando acordei na praia
E vi chegar a primavera, fiz nova cama de flores
Lembrei de todas as cores, cantei baixinho pra elas
Hoje falo em segredo, nessa paixão esquecida
Pra não acordar saudade, pra não despertar o medo,
Pois um amor de verdade, sonha pró resto da vida.
Mas tu já não me querias mais,
Tu já não me querias mais...
Tu já não me querias mais...
Geni
| De tudo que é nego torto |
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geleia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo –- Mudei de ideia
– Quando vi nesta cidade
– Tanto horror e iniquidade
– Resolvi tudo explodir
– Mas posso evitar o drama
– Se aquela formosa dama
– Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
– e isso era segredo dela –
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geleia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo –- Mudei de ideia
– Quando vi nesta cidade
– Tanto horror e iniquidade
– Resolvi tudo explodir
– Mas posso evitar o drama
– Se aquela formosa dama
– Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
– e isso era segredo dela –
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Chico Buarque/1977-1978 Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque |
Toda narrativa procura indiciar as circunstâncias de uma experiência, respondendo a questões básicas como Quando? Onde? Quem? O quê? Como? Por quê?, procurando organizá-la de algum modo na linha do tempo.
São duas horas da madrugada de um dia assim
um velho anda de terno velho assim assim
quando aparece o Guarda Belo
quando aparece o Guarda Belo
É posto em cena fazendo cena um treco assim
bem apontado ao nariz chato assim assim
Quando aparece a cor do velho
Quando aparece a cor do velho
Mas Guarda Belo não acredita na cor assim
ele decide o terno velho assim assim
porque ele quer o velho assado
porque ele quer o velho assado
mas mesmo assim o velho morre assim assim
e o Guarda Belo é o herói assim assado
por que é preciso ser assim assado
por que é preciso ser assim assado
(Secos e Molhados)
O narrador é uma espécie de sábio
Segundo Walter Benjamim, a narrativa é uma arte em vias de extinção: "são cada vez mais raras as pessoas que sabem narrar devidamente", assim como é cada vez mais rara a "faculdade de intercambiar experiências", devido a uma processo de crescente individualização desencadeado pelos modos de produção da sociedade moderna, o esvaziamento do espaço público, a relativização dos valores, a crescente perda da capacidade de ouvir...
O narrador é alguém que fala exemplarmente.
Ele tem, segundo Bakhtin, um "excedente de visão e conhecimento", o que lhe confere uma certa sabedoria, uma autoridade para organizar e emitir um valor sobre a experiência narrada.
O narrador é, sempre, uma posição axiológica.
A narrativa tem uma dimensão utilitária, que pode consistir num ensinamento moral, numa sugestão prática para a vida, na sabedoria de um provérbio, numa norma de vida a ser ensinada pela experiência - de qualquer maneira, o narrador é um homem que se arroga a dar conselhos.
Entretanto: a narrativa não tem a obrigação de explicar nada, mas fecundar, apontar caminhos, mostrar possibilidades de resolução dos problemas, ensina a agir, a reagir, a enfrentar os medos...
O grande narrador, segundo Benjamim, tem sempre suas raízes no povo, principalmente nas camadas artesanais.
Eu um dia cansado que eu tava
Da fome que eu tinha
Eu não tinha nada
Que fome que eu tinha,
Que seca danada no meu ceará
Eu peguei e juntei
Um restinho de coisa que eu tinha:
Duas calça velha e uma violinha
E num pau de arara
Toquei para cá.
E de noite eu ficava na praia de Copacabana
Zazando na praia de Copacabana
Dançando o xaxado pras moças olhá
Virgem santa
Que a fome era tanta
Que nem voz eu tinha
Meu deus quanta moça
Que fome que eu tinha
Mais fome que eu tinha no meu ceará
Puxa vida num tinha uma vida
Pior do que a minha
Que vida danada, que fome que eu tinha
Zazando na praia pra lá e pra cá
Quando eu via toda aquela gente
No come que come
Eu juro que eu tinha saudades da fome
Da fome que eu tinha no meu Ceará
E aí eu pegava e cantava
E dançava o xaxado
E só conseguia porque no xaxado
A gente só pode mesmo se arrastá.
Virgem santa
Que a fome era tanta
Qu'inté parecia que mesmo xaxando
Meu corpo subia
Igual se tivesse querendo voar.
Vou-me embora pro meu Ceará
Porque lá tenho um nome
Aqui não sou nada
Sou só zé com fome
Sou só pau de arara
Nem sei mais cantá
Vou picar minha mula
Vou antes que tudo rebente
Porque estou achando que o tempo está quente
Pior do que antes não pode ficar.
(Zélia Barbosa)
Baião Atemporal
No último pau-de-arara de Irará
Um da família Santana viajará
Levará uma semana até chegar
Junto com mais dois ou três outros cabras que estarão lá
No último pau-de-arara de Irará
Se essa viagem comprida fosse um cordel
Seria boa saída acabar no céu
Só que este conto que eu canto é pra lá de zen
Não tem sentido, não serve pra nada e é pra ninguém
Pra ninguém botar defeito e não ter porém
Basta pensar que Irará poderá não ser
Que os paus-de-arara de lá já não têm porquê
Porque os tempos passaram e passarão
Tudo que começa acaba, e outros cabras seguirão
Cruzando o atemporal do tao do baião
(Gilberto Gil)O cancionista narrador pode brincar com os circunstantes - tempo, espaço, modo, intensidade etc - de maneira que a história a contar exerça um efeito de estranhamento sobre o ouvinte. Esse efeito provoca um retardamento do nosso olhar ou entendimento da situação, chamando-nos para um sentido oculto no texto.
Para Chklovski, : “A finalidade da arte é dar uma sensação do objecto como visão e não como reconhecimento; o processo da arte é o processo de singularização [ostraniene] dos objetos e o processo que consiste em obscurecer a forma, em aumentar a dificuldade e a duração da percepção. O ato de percepção em arte é um fim em si e deve ser prolongado; a arte é um meio de sentir o devir do objecto, aquilo que já se ‘tornou’ não interessa à arte.” (ibid., p.82). O estranhamento seria então esse efeito especial criado pela obra de arte literária para nos distanciar (ou estranhar) em relação ao modo comum como apreendemos o mundo, o que nos permitiria entrar numa dimensão nova, só visível pelo olhar estético ou artístico.
(Viktor Chklovski em “Iskusstvo kak priem” (“A arte como processo”), ensaio publicado na segunda edição da Poetika, 1917)
Reparemos nas canções narrativas que se seguem:
Vou te vi
Ali deserta de qualquer alguém
Penso, logo irei
Que seja antes minha que de outrem
Quando o vento fez do teu vestido
Um dom que Deus te deu
Claro que eu rirei
Ao vendo o que outro alguém não viu
Ali deserta de qualquer alguém
Penso, logo irei
Que seja antes minha que de outrem
Quando o vento fez do teu vestido
Um dom que Deus te deu
Claro que eu rirei
Ao vendo o que outro alguém não viu
Vou andei
E me chegando assim te cercarei
Digo, aqui tô eu
Que te amo e às tuas pernas quero bem
Já que estamos nós
Te sugeri-me então o que fazer
Claro que eu beijei
Ao tendo o que outro alguém não quis
E me chegando assim te cercarei
Digo, aqui tô eu
Que te amo e às tuas pernas quero bem
Já que estamos nós
Te sugeri-me então o que fazer
Claro que eu beijei
Ao tendo o que outro alguém não quis
E tudo isso
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Foi na hora em que eu te vi
E mais que tudo
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Na hora em que eu te quis
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Foi na hora em que eu te vi
E mais que tudo
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Na hora em que eu te quis
Vou fiquei
No teu chegado e tu chegada ao meu
Penso, grande é Deus
Um paraíso prum sujeito ateu
E pensando assim
Farei aquilo que o teu gosto quis
Claro, eu já ganhei de volta
Tudo o que eu quiser
No teu chegado e tu chegada ao meu
Penso, grande é Deus
Um paraíso prum sujeito ateu
E pensando assim
Farei aquilo que o teu gosto quis
Claro, eu já ganhei de volta
Tudo o que eu quiser
E tudo isso
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Foi na hora em que eu te vi
E mais que tudo
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Na hora em que eu te quis
(Vitor Ramil)
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Foi na hora em que eu te vi
E mais que tudo
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Na hora em que eu te quis
(Vitor Ramil)
Da maior importância
Foi um pequeno momento, um jeito
Uma coisa assim
Era um movimento que aí você não pode mais
Gostar de mim direito
Teria sido na praia, medo
Vai ser um erro
Uma palavra, a palavra errada
Nada, nada
Basta nada, nada
E eu já quase não gosto e já nem gosto
Do jeito que de repente você foi olhada por nós
Porque eu sou tímido e teve um negócio
De você perguntar o meu signo
Quando não havia signo nenhum
Escorpião, Sagitário, não sei que lá
Ficou um papo de otário, um papo
Ia sendo bom
É tão difícil, tão simples, difícil, tão fácil
De repente ser uma coisa tão grande
Da maior importância
Deve haver uma transa qualquer pra você e pra mim
Entre nós
E você jogando fora e agora vá embora, vá
Deve haver um jeito qualquer, uma hora
Há sempre um homem para uma mulher
Há dez mulheres para cada um
Uma mulher é sempre uma mulher, etc. e tal
Assim como existe disco voador e o escuro do futuro
Pode haver no que está dependendo
De um pequeno momento puro de amor
Mas você não teve pique e agora não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique, você não teve pique
E agora não sou eu quem vai lhe dizer que fique
Mas você não teve pique e agora não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique, não sou eu quem vai
Você não teve pique
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Não sou eu quem vai
Não sou eu quem vai lhe dizer que você não teve pique
Não sou eu
(Caetano Veloso)
Guia
Atravessei o oceano
Sem o teu amor de guia
Só o tempo no meu bolso
E o vento que me seguia
Venci colinas de lágrimas
Desertos de água fria
Tempestades de lembranças
Mas tu já não me querias mais, mais
Tu já não me querias mais
Procurei a terra firme
Em cada onda que subia
O sol cegava meus olhos
Toda a noite eu te perdia
Lá dentro no pensamento
Virou tudo nostalgia
Água, sal e sofrimento
Porque tu não me querias mais
Tu não me querias mais
Já era Agosto, quando acordei na praia
E vi chegar a primavera, fiz nova cama de flores
Lembrei de todas as cores, cantei baixinho pra elas
Hoje falo em segredo, nessa paixão esquecida
Pra não acordar saudade, pra não despertar o medo,
Pois um amor de verdade, sonha pró resto da vida.
Mas tu já não me querias mais,
Tu já não me querias mais...
Tu já não me querias mais...
(Antonio Azambujo)
Resultados da pesquisa
Principais resultados
Antes o meu coração tocava só pra CiraAntes é que o meu cordão batia só pra CiraAntes o meu coração tocava só pra CiraAntes é que o meu cordão batia só pra Cira
Ela era tão bonita que ensandecia a tropaEvocava o meu olhar que orbitava à sua voltaMas quando apertava a tecla nunca trocava a notaO encanto bateu botas e eu vazei daquela festa
Agora o meu coração toca pra ReginaAgora é que o meu cordão bate pra ReginaAgora o meu coração toca pra ReginaAgora é que meu cordão bate pra Regina
Ela é a moça certa carregando aquela tochaRecitando poesia e me ensinando sobre a PérsiaMesmo sendo tão prolixa e digna de notaNão contava anedota e eu fugi como uma besta
Agora o meu coração toca no vazioAgora é que meu cordão não queima nem pavioNão existe data certa, conta ou alguma rezaO cupido quando acerta o acaso lhe reserva
Não é por desmerecer nem dizer que a fila andaMas agora vou falar do meu amor
Agora eu vou falarEu vou falar de Nana, Nana, Nana
Agora eu vou cantarEu vou cantar pra Nana
Agora eu vou falarEu vou falar de Nana, Nana, Nana
Agora eu vou cantar pra NanaPra Nana (vou cantar pra Nana)
(Lucas Santana)
Às vezes, a própria música, pelo desenvolvimento da melodia, já é uma narração...
Coro de cor
Sombra de som de cor
De mal me quer
De mal me quer de bem
De bem me diz
De me dizendo assim
Serei feliz
Serei feliz de flor
De flor em flor
De samba em samba em som
De vai e vem
De verde verde ver
Pé de capim
Bico de pena pio
De bem te vi
Amanhecendo sim
Perto de mim
Perto da claridade
Da manhã
A grama a lama tudo
É minha irmã
A rama o sapo o salto
De uma rã
João Donato / [João Gilberto] / Caetano Veloso
